Delegado, investigador e escrivã estão presos em delegacia da capital; já o carcereiro e advogados estão em Pedrinhas

Audiência de custódia de todos os envolvidos em suspeita de formação de quadrilha em Açailândia acontecerá nesta segunda ou terça-feira

Nesta quarta-feira (28) a prisão de uma equipe inteira da Polícia Civil e mais um advogado em Açailândia foi manchete em todo o estado. Eles foram acusados por integrarem uma quadrilha que usava a própria delegacia da cidade (1º DP) como local para negociatas, de acordo com o delegado geral de Polícia Civil do Maranhão, Lawrence Melo. Pelo menos quatro casos estão sendo investigados.DSC_0304

O delegado Thiago Filippini, o investigador Glauber Santos da Costa, a escrivã Sylvia Helena Alves, o carcereiro Mauricélio da Costa Silva e o advogado Eric Nascimento Carosi foram presos preventivamente na própria cidade onde trabalhavam e encaminhados para São Luís no fim da manhã por meio de um helicóptero policial do Centro Tático Aéreo (CTA).

“Uma investigação conduzida pela Superintendência Estadual de Combate a Corrupção, vinculada à Polícia Civil, teve início a partir de denúncias realizadas no Ministério Público em Açailândia sob a conduta de policiais civis com a participação de um advogado formando uma verdadeira organização criminosa, que buscava desvirtuar todas as obrigações legais que aquela equipe deveria estar praticando”, disse o delegado geral.

De acordo com as investigações, eles negociavam com as pessoas conduzidas à delegacia em vez de iniciarem o procedimento legal. A negociação tinha por objetivo a liberação dos detidos mediante pagamento de propina que variava de acordo com o crime cometido.

“Foram reiteradas situações e algumas já estão formalizadas com provas testemunhais e materiais. O valor exigido pela organização criminosa dependia da gravidade do delito, mas não tem como informar ainda um valor preciso”, declarou o delegado geral.

Em um dos casos, Lawrence Melo revelou que o delegado preso chegou a retirar o que já havia sido inserido no sistema da Polícia Civil, mas as alterações ficaram registradas e serviram para comprovar as ações suspeitas do grupo.

Eles devem responder por concussão (crime praticado por funcionário público que busca vantagens pra si e para outros), corrupção passiva e organização criminosa.

Prisão e audiênciaSem título

A prisão feita pelo delegado geral da polícia Civil Lawrence Melo, com a cooperação de Camila Gaspar Leite, Titular da 5ª Promotoria de Justiça de Açailândia e responsável pelo controle externo de atividade da Polícia Civil, será conduzida agora por Francisco Ronaldo Maciel Oliveira, juiz Titular da 1ª Vara Criminal do Termo de São Luís, Privativa para processamento e julgamento dos crimes de Organização Criminosa de São Luís.

Na decisão o juiz enalteceu o trabalho da promotora e do delegado da Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor), Lawrence Melo. Contudo lamentou o ato de corrupção praticado em órgão públicos, afirmando ser necessário “cortar a própria carne”.

“Tenho por objetivo retirar maus frutos da Administração Pública, ou seja, na linguagem bíblica, ‘separar o joio do trigo’. (…) Creio que deve ter sido para o delegado representante um trabalho triste, amargo e difícil, pois visa apurar, a instauração do inquérito policial, no bojo do qual se pede a decretação da prisão preventiva, crime praticados por um delegado de  Polícia Civil, uma Escrivã e investigador, além de outros, o que significa cortar a própria carne. (…) O trabalho, apesar de difícil, deve ser feito, para se restabelecer a saúde das instituições públicas, vitimadas, quase que diariamente, pelo câncer que assola a administração pública – a corrupção”.

O delegado Murilo Lapenda informou que o delegado Thiago Filippini, o investigador Glauber Santos da Costa e a escrivã Sylvia Helena Alves estão presos em uma delegacia da capital; e que o carcereiro Mauricélio da Costa Silva e o advogado Eric Nascimento Carosi já se encontram na Penitenciária de Pedrinhas.

Todos os cinco investigados serão ouvidos em uma audiência de custódia, que acontecerá na próxima segunda (03) ou terça-feira (04), já que nesta quinta-feira (29) foi feriado em São Luís, e na sexta (30) muitos órgãos do governo e da justiça estavam de ponto facultativo.

Jornal do Maranhão e  Blog Gilberto Lima

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